memories

Desligo o computador. Leio mais algumas crônicas do livro do Jabor (Amor é prosa; sexo é poesia). Olho para o cabideiro e os rabiscos atrás da porta do quarto. Velhos acessórios me remetem a tempos passados.

Um pedaço da minha história.


Em branquinho, caneta piloto e lápis de olho, estão lá os nomes de algumas das minhas bandas favoritas de alguns anos atrás. Tem também recadinhos de algumas amigas. Tudo ali registrado.

Várias vezes já pensei em lavar essa porta, raspar tudo e passar tinta nova, dando assim um aspecto mais higiênico ao ambiente. Mas ainda não tive a devida coragem de apagar essa pequena recordação.

Vejo ali pendurado também um cinto preto de tachinhas... ele combinava tão bem com o meu All Star no auge da minha adolescência! E também me traz muitas recordações!

Também noto que há muitas bolsas penduradas. Cada uma delas me acompanhou por certo tempo, em determinadas jornadas da minha vida. Carregaram vários objetos, como os cadernos da faculdade (e ainda da época do colégio!), estojos cheios de canetas coloridas, documentos e chaves, celular... e carregaram comigo minhas angústias, dificuldades, frustrações e conquistas.

Todas (as bolsas) foram aposentadas por invalidez ou tempo de serviço — ou ambos. Mas não consigo me desfazer delas. Minha mãe vive me pedindo para fazer uma "limpa", doar as coisas que não uso mais. Mas tenho esse péssimo defeito de guardar — e por que não dizer colecionar — coisas. A maioria não serve para nada. Mas digamos que eu me sinta mais "segura" e mais conectada comigo mesma assim.

Para tudo, levo certo tempo até ter coragem de eliminar. Eu chamaria de período de desapego.

Hoje percebo que tem sido assim com as pessoas também. No começo, eu sofro, mas depois vai passando o tempo, e eu me desapego das pessoas. Algumas me dão fortes motivos para isso, e aí é mais fácil — exceto quando eu não quero me distanciar de alguém, mas às vezes é inevitável.

Quem sabe uma parte das velhas bolsas, cintos e pessoas ganhem finalmente um destino... hoje, ou qualquer hora dessas.

O inferno é aqui

Religião à parte, não acredito que, depois que morrermos, seremos classificados conforme nosso comportamento na Terra. Os bonzinhos para o céu, os pecadores leves passam uma temporada no purgatório, para pagar seus pecados, e depois vão para a companhia dos anjinhos, e os muito malvados vão direto para o inferno.

Acho que, de alguma maneira que não sei explicar, já estamos todos no inferno mesmo. Ou então, que o purgatório e o inferno são aqui, e cada qual cumpre sua pena ao mesmo tempo em que comete os pecados. E o céu... ah, esse é lenda!

Não é querer me fazer de vítima, nem nada, e não que eu seja uma pessoa muito boazinha e de alma generosa, mas muitas vezes tenho a sensação de estar pagando meus pecados antes mesmo de cometê-los.

Porque não dá para entender o tanto de situações infernais que eu sou obrigada a encarar dia após dia...

A minha conduta é muito simples. Eu sempre procuro fazer o melhor que posso, tanto no trabalho, quanto na vida pessoal. Nunca tenho como objetivo prejudicar ninguém, mesmo que essa pessoa mereça — ao meu ver. Eu levanto a cabeça e penso: "a vida cuida".

Só que mesmo ficando na minha, tentando, aos trancos e barrancos, cumprir minhas tarefas da melhor forma possível e, de quebra, não interferindo na vida alheia, ainda assim não é suficiente.
Se eu acreditasse em reencarnação, juraria que na vida passada eu fui um carrasco daqueles que torturava escravos impiedosamente, com sede de sangue e sádico por dor.

Puta que pariu... Desculpem as palavras, mas está difícil não desembestar a gastar todo o meu repertório de palavrões...
 
Lição do dia: não precisa estudar muito, só saber ser puxa-saco. Aí, você pode chegar a cargo de chefe e quase literalmente cagar na cabeça dos seus subordinados, principalmente se você perceber que eles têm uma visão das coisas um pouquinho melhor que a sua... Então, para não ser humilhado pela falta de conhecimento, humilhe-os com a sua arrogância. Simples.

O chá

Se eu fosse uma estudiosa do assunto, poderia formular uma tese. O chá pode ser comparado às famosas poções do amor que as feiticeiras vendiam aos pobres não-correspondidos, pois possui propriedades tão apaixonantes que parece mentira se estar escrevendo isso em pleno século 21.

Obviamente, não estou falando da bebida chá, do Matte Leão vendido em práticos saquinhos. Refiro-me ao chá de cama, ou, em outras palavras, ao chá de boceta e ao chá de pica.


Pode parecer uma forma vulgar de se falar do assunto, mas acredito serem estes os termos mais fiéis à realidade.


Eu aposto que você, leitor, conhece um caso típico do chá.


Aquele cara super gente boa, educado, simpático, lindo, divertido, sonho de consumo de muitas garotas, que costumava deixar pobres corações femininos despedaçados por onde passa, pois nunca se apegava.... de repente, aparece namorando. E apaixonado.


Mas, inveja à parte, você nota que a felizarda não possui sequer uma qualidade tão forte a ponto de conquistar um rapaz como aquele...


Pode ter certeza de que ele foi mais uma vítima do implacável chá.


Eles brigam, choram, disparam uma série de insultos um ao outro. Mas o chá é tão bem dado que ele pensa estar apaixonado.


O mesmo vale para as mulheres. Um chá de pica bem aplicado pode fazê-las sofrer tanto quanto as mocinhas das novelas das oito, que devem dar muito lucro à Kleenex, gastando uma caixa de lenços por semana.


E o chá tem efeito duradouro. Ele parece amor. Suas vítimas não percebem — por um bom tempo — que foram acometidas pela maldição do chá.


E tem outro agravante: não há idade. Um quarentão pode sofrer os efeitos colaterais do chá tanto quanto um jovem recém-desvirginado. E eu já vi até famílias serem destruídas por um "inofensivo" chazinho.


Para piorar, não existe antídoto para o chá. E nunca se sabe quando você pode ser vítima dele. Algumas pessoas parecem ter uma certa imunidade, mas não existe garantia.


Também não conheço pesquisas científicas sobre o assunto, mas Freud deveria saber explicar...

Pessoas inconvenientes

Há tempos não escrevo aqui, né, mas hoje vim tratar de um assunto muito sério: pessoas inconvenientes. Que atire o primeiro chiclete a primeira pedra quem não convive com uma.

Hoje foi o dia em que, antes mesmo de eu acordar, os enviados de Murphy decidiram: vamos perturbar a Jean até a "grande" paciência dela se esgotar.

Pois é, e conseguiram.

Só para explicar: eu sou uma pessoa altamente irritável, não gosto de gente metida a engraçadinha, ou que se acha no direito de fazer piadinhas sem ter intimidade, ou qualquer coisa do tipo.

Bom, para começar, uma mulher muito mala sem alça sem desconfiômetro foi almoçar lá em casa hoje — sem ser convidada, é claro. É que ela é manicure e atende a domicílio. Antigamente, minha mãe e eu costumávamos nos valer dos serviços, dela, mas a porquice a falta de qualidade do trabalho dela nos fizeram mudar de manicure/depiladora/etc. Só que ela se acha amiga, sabe como é? Então, de vez em quando, ela resolve passar lá em casa "despretensiosamente" exatamente no horário em que ela sabe que minha mãe está pondo o almoço na mesa. Mas, como se não bastasse, ela se acha da família. Se intromete nos assuntos, fica perguntando da minha vida — coisa que eu odeio —, entre outras manias insuportáveis.

Ok, livrando-me da intrusa, vim trabalhar. Chegando aqui, outro enviado de Murphy fez questão de esgotar os últimos pingos da minha paciência. Quem já me lê há um bom tempo deve se lembrar do chato que ficava fiscalizando se meu carro estava bem lavado. Pois bem, esclareço que não foi uma situação isolada. Essa pessoa parece ter prazer em me irritar. Se eu desenvolver uma úlcera nervosa, vou mandar a conta do médico para ele.

Então, vamos chamar esse meu amigo de Gugu (qualquer semelhança com o apresentador é mera coincidência). Hoje, chovendo, chego ao trabalho e, como qualquer pessoa normal, digo "boa tarde" a todos que estão no recinto, de forma genérica mesmo. Mas ele, que adora me importunar, de vez em quando resolve achar que tem direito a cumprimento exclusivo. Todas as pessoas normais responderam, e, após o recinto silenciar, ele resolveu disparar:

Boa tarde, JEAN GREY. (Assim mesmo, dizendo meu nome completo)

Óbvio que eu, com toda essa paciência que Papai do Céu me deu, não deixei por menos.

Eu já disse boa tarde, você não ouviu?

Não ouvi.

Não tenho culpa.

Cri cri cri...

Bem, só para explicar, antes que vocês me achem uma grossa, insensível, sem paciência, de TPM constante, etc., saibam que o Gugu ADORA me pentelhar. Ele faz de propósito. E aí entra uma série de atitudes inconvenientes e irritantes, como — pasmem! — mexer na minha bolsa; ficar observando e comentando sobre quantos pães de queijo eu como; reparar em detalhes a que, supostamente, os homens não se atêm, só para me pentelhar, como se as minhas unhas não estão feitas ou na bota que estou usando...

Francamente... merece umas patadas! Paciência tem limite. E a minha é mais ou menos do tamanho do cérebro da Carla Perez.

O segredo é reciprocidade!

Reciprocidade. Essa palavrinha aparentemente tão complicada, que na prática é mais complicada ainda, é a chave de tudo, na minha opinião.

Ultimamente, minha vida tem passado por uma série de mudanças - um dos motivos, inclusive, para o meu "desaparecimento" do blog. Algumas dessas mudanças têm sido dolorosas, mas quero acreditar que as coisas acontecem por uma causa maior, e que no fim tudo se ajeita.


Eu sei que muitas das soluções, inclusive, para os meus problemas, deverão partir somente de mim, e requererão uma dose extra de sacrifício, mas acredito que vai valer a pena.


Mas tem certas coisas que já esgotaram a minha parcela de esforços, e acho que só o tempo dirá.


Semana passada, tomei uma atitude difícil. Praticamente encerrei uma amizade de não sei quantos anos. É, não que eu tenha encerrado, mas disse a essa amiga minha muitas coisas que estavam engasgadas, e ela não teve a decência de me procurar de volta para conversarmos.


Simplesmente ignorou.


O que me dói não é apenas me afastar de uma pessoa de quem eu gostava muito, mas sim saber que essa pessoa não teve um pingo de consideração por mim. Durante anos eu a apoiei, fui seu ombro em incontáveis ocasiões, muitas vezes, a única amiga de verdade que ela tinha.


Mas, num dado momento, ela conheceu pessoas novas. Tudo bem, talvez essas pessoas sejam divertidas e menos compromissadas que eu, e portanto podem sair a qualquer dia da semana e voltar à hora que querem - ou pelo menos não terão de arcar com consequências tão complicadas quanto as que eu teria se agisse com tal irresponsabilidade.


Tudo bem que elas são solteiras, livres, desimpedidas e de reputação duvidosa - o que, ao ver dela, deve emanar uma sensação de liberdade que ela não conhecia.


Ok. Mas daí a me excluir da vida dela, omitir as coisas de mim e por vezes até mentir, tudo para provar sua superioridade? Para mim foi demais. Uma de suas melhores amigas querendo te dizer a todo momento que é melhor e mais gostosa que você às vezes cansa. Não que eu queira ser melhor que ela. Justamente o contrário. Detesto essa competitividade que habita a personalidade de tantas mulheres.


Bem, aquele e-mail ficou sem resposta. E eu, então, deixo estar.


Fiz a minha parte. Aliás, acho que até mais, visto que a amizade sempre foi algo bem unilateral, pois ela não tinha comigo a mesma paciência, compreensão e suporte que eu tinha com ela. Mas nós nos divertíamos.


Bem, por mais que seja difícil, eu tenho agido assim ultimamente. Não corro atrás de pessoas que não me dão a mínima. Quando eu era adolescente e bem insegura, eu até engolia alguns sapos, suportava coisas insuportáveis, tudo em nome da tal amizade. Mas se a pessoa nunca está lá para te ajudar, por que você tem que ajudá-la? Acho que não tem sentido, não é mesmo? Isso, então, não é amizade, é carência, ou dependência.


Enfim... minha postura tem sido essa: se eu tiver uma e apenas uma amiga no mundo inteiro, mas ela for sincera e leal comigo, então estarei satisfeita. Porque ter uma amizade de verdade é algo bem raro, e bem melhor que inúmeras amizades "de balada". E acho que sou uma pessoa de sorte, porque tenho bem mais que isso.

Obs: prometo que responderei a todos os comentários e voltarei a comentar nos blogs dos amigos... mas é que, de fato, ultimamente as coisas andam difíceis por aqui.

Decepção

Há dias eu queria voltar a postar aqui. Pensei em diversos assuntos que eu poderia abordar de forma divertida, interessante, mas nada me ocorreu.

Mas, eis que hoje eu venho aqui para me lamentar.

Sim, lamentar.

Hoje, passei o dia todo com um nó na garganta. Com uma tristeza profunda. Com uma dor imensa dentro de mim.

Ontem, o nosso respeitabilíssimo Supremo Tribunal Federal acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Na prática, isso é um tremendo desrespeito. Desrespeito com todos aqueles que, como eu, dedicaram quatro anos de suas vidas à realização de um sonho, aos estudos com todo o esmero possível em busca de ser um bom profissional, de fazer a diferença na própria vida e na vida das outras pessoas.

Os ministros do STF, ao derrubar essa exigência, pisaram nos estudiosos da comunicação, nos professores, nos tantos universitários que querem aperfeiçoar-se.

Engraçado como os representantes do órgão máximo da "Justiça" brasileira demonstraram tamanha desinformação e menosprezo por uma das profissões mais importantes atualmente.

Uma decisão como esta certamente acabou com os sonhos de muita gente, que assim como eu, pensava em se especializar, em estudar mais e mais, em seguir uma carreira respeitável.

Hoje, sinto como se quase todos os meus planos de vida tivessem desmoronado. Não tenho mais motivação alguma para buscar uma pós-graduação, quem sabe mestrado ou doutorado. Para quê? Se amanhã qualquer semi-analfabeto que terminou o Ensino Médio aos trancos e barrancos pode se auto-intitular jornalista?

Para que meu pai investiu tanto dinheiro e eu empenhei tanto esforço e suor numa faculdade que agora é a mesma coisa que nada?

Como é que se levanta de manhã para trabalhar motivado, se corremos o risco de perder as poucas conquistas que temos... que são um piso salarial meia boca e uma jornada de trabalho de cinco horas diárias?

Hoje, graças a essa decisão descabida, eu não duvido que muitos donos de empresas de comunicação prefiram trocar boa parte do seu quadro de jornalistas por qualquer bando de zés-ninguéns que, por saberem malemal assinar o nome, aceitarão trabalhar por uma mixaria. Mas eles poderão assinar as matérias.

Uma conquista que eu levei quatro árduos anos para alcançar: ter meu nome nas páginas do jornal, acima de uma matéria de minha autoria, fruto da minha capacidade intelectual, somatório de conhecimentos acumulados, de estudos, de trabalhos, de noites mal dormidas, de estágios mal remunerados, de dores nas costas e do sacrifício do meu pai em pagar a mensalidade.

Eu sei que pode parecer que estou perdendo o foco, ou dramatizando a situação... mas imaginem se fosse com a profissão de vocês. Imagine se qualquer um que sabe "fazer contas" pudesse ser considerado administrador, ou contabilista. Se qualquer um que lesse por conta própria um Código Penal pudesse ser advogado. Se qualquer um que desenha bem pudesse ser arquiteto sem a devida formação. Se qualquer pedreiro pudesse se auto-intitular engenheiro civil. Já imaginaram?

Ao contrário do que muitos pensam, escrever não é fácil. Escrever é complexo. Conhecer as regras de gramática é uma tarefa árdua. Saber organizar as frases, concatenar as ideias, escrever de maneira coerente e coesa não é para qualquer um. Desculpem-me se pareço arrogante. Mas não é para qualquer um. Não basta ter dom.

Jornalismo é, sim, técnica, padrão, estudo, ciência.

Jornalismo é coisa muito mais séria que alguns cabeças-de-abacate pensam. Não é fácil colher as informações e traduzi-las de forma que todos que leiam entendam. Isso que estou apenas citando o meu caso, de repórter de jornal impresso. Sem contar os de televisão, que precisam ter um texto atraente para o telespectador, e ainda se preocupar com as imagens que casarão perfeitamente ao texto. E ao jornalista de rádio, que precisa passar sua mensagem de forma clara, sucinta, e ao mesmo tempo fazer com que seu ouvinte consiga visualizar a notícia, ter a dimensão real do fato.

Não vejo demérito nenhum do jornalista em detrimento a um médico, engenheiro, advogado, dentista, e tantas e tantas outras profissões. Todas são igualmente importantes, cada qual no seu segmento, cada uma complementando a outra. Mas é preciso saber respeitar as peculiaridades de cada uma.

Não se iludam. Esse papo de "liberdade de expressão" é a maior balela que eu já ouvi na minha vida. Hoje em dia qualquer um pode tornar públicas suas ideias. Os blogs e diversas outras ferramentas estão aí para isso. Jornalismo é diferente. É acima de tudo um serviço à população.

Quero fazer pequenos comentários abaixo sobre os absurdos, os dispautérios que os ministros, pessoas de notável sapiência, disseram, ao tentar justificar sua decisão ridícula, patética, e vergonhosa:


Relator do processo, o presidente do STF, Gilmar Mendes, concordou com o
argumento de que a exigência do diploma não está autorizada pela Constituição.
Para ele, o fato de um jornalista ser graduado não significa mais qualidade aos
profissionais da área. “A formação específica em cursos de jornalismo não é meio
idôneo para evitar eventuais riscos à coletividade ou danos a terceiros.”


Pois é. A graduação, de fato, não garante a qualidade dos profissionais. Mas em nenhuma profissão, não apenas no jornalismo. Agora, se com diploma exigido vemos tantos pseudo-analfabetos por aí sendo jornalistas, imagine agora, com essa liberação incabível.



Os ministros Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello seguiram o voto do relator. Único a votar pela exigência do diploma, Marco Aurélio Mello disse que qualquer
profissão é passível de erro, mas que o exercício do jornalismo implica uma
“salvaguarda”. “Penso que o jornalista deve ter uma formação básica que
viabilize sua atividade profissional, que repercute na vida do cidadão em
geral”, argumentou Mello.

Ministro Marco Aurélio Mello, o senhor foi o único sensato nas suas declarações.



Em seu voto, Gilmar Mendes sugeriu que os próprios meios de comunicação exerçam o mecanismo de controle de contratação de seus profissionais. Ele comparou ainda a profissão de jornalista com a de chefe de cozinha. “Um excelente chefe de cozinha poderá ser formado numa faculdade de culinária, o que não legitima estarmos a exigir que toda e qualquer refeição seja feita por profissional
registrado mediante diploma de curso superior nessa área”, comparou.

Para mim, está muito óbvio que aí tem rabo preso com os donos dos meios de comunicação. Era tudo o que eles queriam. Agora, eles podem demitir quem eles quiserem, se livrar dos formados, e adquirir mão-de-obra barata. Não tão boa, mas quem está preocupado com a qualidade da informação? Pelo jeito, ninguém.

Quando a essa comparação do cozinheiro, eu acho que ela vem bem a calhar. Um chef de cozinha pode até não precisar necessariamente ser formado em uma universidade, mas os melhores são aqueles que buscam o aperfeiçoamento profissional sempre. Ou você não teria medo de comer uma comida feita por uma pessoa que não sabe a diferença entre champignon e cogumelos tóxicos? A informação também pode ser um fino champignon ou uma ramaria.

“O Poder Público não pode restringir, dessa forma, a liberdade profissional no
âmbito da culinária. Disso ninguém tem dúvida, o que não afasta a possibilidade
do exercício abusivo e antiético dessa profissão, com riscos eventualmente até à
saúde e à vida dos consumidores”, acrescentou Mendes, que disse acreditar que a
decisão desta quarta não vai contribuir para o fechamento de faculdades de
comunicação social.

E o excelentíssimo presidente do Supremo sai disparando mais besteiras... Eu mesma, se ainda estivesse na faculdade, largaria já. Afinal, para que eu vou me dedicar tanto se existe uma população inteira de concorrentes sem o menor preparo?

Entre estas e outras barbaridades, as afirmações foram tão repugnantes, que nem parecem de membros da suprema corte, detentores de tanto conhecimento.

Acho que eles não sabem a diferença entre articulista de jornal, colunista, e repórter... E agora, ficará menos evidente ainda, pois algumas pessoas sequer têm um nome a zelar.

Relacionamentos saudáveis

Sinto-me no direito de escrever sobre relacionamentos saudáveis, não apenas por ter um, mas porque acredito que este é um assunto nunca suficientemente debatido.

Muitos fantasiam acerca de um relacionamento perfeito. Mas, sinto informar, isso não existe. O que existe são relacionamentos saudáveis e relacionamentos prejudiciais. Cabe a cada um de nós avaliar seu próprio namoro, casamento, etc., e chegar à conclusão se o relacionamento está fazendo bem, acrescentando algo à nossa vida, ou se está desgastado e mais dando dor de cabeça do que alegrias.

Contudo, alguns sinais são cruciais no momento em que se avalia se estar com uma pessoa é bom ou ruim para ambos. Em primeiro lugar, quero esclarecer que até mesmo o melhor dos relacionamentos tem brigas. Sim, discussões e discordâncias são inerentes ao ser humano, e é impossível duas pessoas que vivem juntas jamais terem uma desavença sequer e pensar e agir exatamente igual em todas as situações.

Ainda assim, existem graus de brigas e formas de discussões. Na minha cabeça, um namoro que tem mais brigas que momentos felizes nunca será saudável. Um casal que passa mais horas discutindo o relacionamento e chorando (ou se ofendendo) do que falando baboseiras e rindo junto não pode dizer que se dá bem.

Eu sei que devo estar sendo criticada mentalmente nesse momento por quem me lê, mas estou apenas dizendo a mais pura verdade, nua e crua. Acho um ultraje pessoas que insistem em relacionamentos falidos, cheios de desavenças, desespero, brigas com gritos e palavras de baixo calão. Para mim, isso é simplesmente “dar murro em ponta de faca”.

Não vou dizer que nunca tive um namoro assim. Tive, sim. Brigávamos 24 horas por dia. E o relacionamento durou menos de dois meses. Mas conheço gente que namora desse jeito há anos. E Aí eu me pergunto: “por quê?”.

Mas não sei a resposta, para ser sincera. E acho que nem eles mesmos sabem.

Mas, voltando aos relacionamentos saudáveis. É extremamente imprescindível (redundância?) a sinceridade e transparência desde o começo. Parece óbvio, eu sei. Mas analisando profundamente, vemos que não é.

Explico.

Muita gente começa um relacionamento baseado em aparências. “Tenho que me comportar e cuidar com o que vou falar, não posso expressar minhas opiniões tão rápido assim. Vai que ele/ela se assusta”. Completamente errado. Você pode e deve ser você mesmo desde o começo. Assim, se a pessoa gostar de você, será pelo que você realmente é, e não por um personagem que você criou. Porque, acredite, nenhum personagem dura muito tempo. Logo você mostra seu verdadeiro “eu”, e aí pode desagradar.

Assim começam muitas das brigas dos relacionamentos. “No começo você era assim, agora você é assado!”. Já ouviu um caso assim? Pois é.

Todo mundo tem que ceder, sim. Ambos os lados precisarão abrir mão de algo em dados momentos. Mas isso não significa aniquilar-se e fazer apenas as vontades do outro. Desse jeito, uma das partes estará sempre infeliz, ou acabará se perdendo de si mesmo ao longo do tempo.

Compreensão é fundamental, mas personalidade e opinião também.

A melhor coisa em um relacionamento é você poder ser você mesmo. Poder falar as suas piadas sem graça, poder debater assuntos sérios e expor sua opinião. Ter liberdade para falar dos seus sentimentos. Rir e chorar. Permitir-se cometer um erro e saber que será compreendido. Ter com quem desabafar. Poder contar seus segredos mais íntimos. Não ter medo de parecer ridículo. Não ter medo de pedir um carinho. Nem de fazê-lo. Não ter vergonha de dizer palavras bonitas, ou bregas, mas que vêm do seu coração. Espontaneidade é a chave de uma convivência saudável.

E reafirmo, não falo isso só porque hoje eu sei que sou completamente realizada no meu relacionamento. Fiquei sozinha por muito tempo, e sempre pensei da mesma forma: se for para ter alguém que só me faz sofrer, prefiro ficar sozinha.

Relacionamento é bom até o momento em que está te fazendo bem. A partir de quando começa a fazer mal, é hora de rever seus conceitos e sua vida.

O principal aspecto de um relacionamento saudável é que, nele, os dois sempre ajudarão um ao outro a melhorar, não importa como. Atitudes egoístas e ciúme exagerado nunca farão nem o relacionamento nem o casal progredir. Muitas vezes, abrir mão de um momento juntos é uma prova de amor. Se seu namorado ou sua namorada tem um trabalho importante da faculdade para apresentar e precisa se dedicar para prepará-lo, cabe a você compreender que ele/ela precisa de um tempo para isso. Fazer birra e cobranças não ajudará em nada. Ao contrário, incentive o seu par a se dedicar aos seus afazeres, e ofereça ajuda, sempre que você puder ser útil. Mas não force a barra. Principalmente se você pensa em ter um futuro ao lado dessa pessoa, analise: que tipo de marido/esposa você quer ao seu lado? Um fracassado ou um bem-sucedido? Não é questão de ser dinheirista, é uma questão óbvia. Além do mais, você não quer alguém jogando na sua cara que não estudou ou que recusou um emprego melhor por sua causa, não é?

A individualidade de cada um precisa sempre ser preservada. É claro que, em um relacionamento, vocês passarão a compartilhar muitas coisas, mas não significa que vocês tenham que viver um a vida do outro.

Outro indicativo muito simples sobre se o relacionamento vai bem ou mal é a vontade de estar com a pessoa. Você tem vontade de ficar junto, ou acha que isso é obrigação dos casais? Você se sente de fato mais feliz ao lado dessa pessoa, ou está simplesmente acostumado?

Por hoje é “só”. Acredito que este post vai ter continuação.
Sou sempre eu mesma, mas não sou sempre a mesma!.
 
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