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O chá

Se eu fosse uma estudiosa do assunto, poderia formular uma tese. O chá pode ser comparado às famosas poções do amor que as feiticeiras vendiam aos pobres não-correspondidos, pois possui propriedades tão apaixonantes que parece mentira se estar escrevendo isso em pleno século 21.

Obviamente, não estou falando da bebida chá, do Matte Leão vendido em práticos saquinhos. Refiro-me ao chá de cama, ou, em outras palavras, ao chá de boceta e ao chá de pica.


Pode parecer uma forma vulgar de se falar do assunto, mas acredito serem estes os termos mais fiéis à realidade.


Eu aposto que você, leitor, conhece um caso típico do chá.


Aquele cara super gente boa, educado, simpático, lindo, divertido, sonho de consumo de muitas garotas, que costumava deixar pobres corações femininos despedaçados por onde passa, pois nunca se apegava.... de repente, aparece namorando. E apaixonado.


Mas, inveja à parte, você nota que a felizarda não possui sequer uma qualidade tão forte a ponto de conquistar um rapaz como aquele...


Pode ter certeza de que ele foi mais uma vítima do implacável chá.


Eles brigam, choram, disparam uma série de insultos um ao outro. Mas o chá é tão bem dado que ele pensa estar apaixonado.


O mesmo vale para as mulheres. Um chá de pica bem aplicado pode fazê-las sofrer tanto quanto as mocinhas das novelas das oito, que devem dar muito lucro à Kleenex, gastando uma caixa de lenços por semana.


E o chá tem efeito duradouro. Ele parece amor. Suas vítimas não percebem — por um bom tempo — que foram acometidas pela maldição do chá.


E tem outro agravante: não há idade. Um quarentão pode sofrer os efeitos colaterais do chá tanto quanto um jovem recém-desvirginado. E eu já vi até famílias serem destruídas por um "inofensivo" chazinho.


Para piorar, não existe antídoto para o chá. E nunca se sabe quando você pode ser vítima dele. Algumas pessoas parecem ter uma certa imunidade, mas não existe garantia.


Também não conheço pesquisas científicas sobre o assunto, mas Freud deveria saber explicar...
Sou sempre eu mesma, mas não sou sempre a mesma!.
 
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